PRATIQUE O DESAPEGO

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APEGO: “Sentimento de afeição, de simpatia por alguém ou alguma coisa”. Definindo assim como o Tio Aurélio, este sentimento parece tão bonitinho e inofensivo, não é? O apego é visto muitas vezes, como algo positivo, como se fosse sinal de cuidado. Só que não é bem assim sempre. O apego aplicado de forma exagerada pode fazer muito mal para si próprio e para outras pessoas.

O apego é uma forma de dependência emocional e acaba sempre levando ao sofrimento. Apego exagerado aos filhos, à profissão, a alguma situação de vida, a um relacionamento, à algum problema etc. Quanto maior o apego, maior a ansiedade e a necessidade de controlar pessoas e situações para ter sensação de paz, satisfação e felicidade. Mas na verdade o apego doentio é uma prisão emocional. A energia do apego acaba atrapalhando relacionamentos e afastando as pessoas. Quem se comporta dessa forma sofre mais rejeição.

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O apego emocional é o pior de todos! Pessoas que se fixam em pessoas. Veem os outros como algo a ser possuído, guardado, trancado, não compartilhado. Pessoas assim, se escravizam aos parceiros, filhos, amigos e parentes. Exigem exclusividade, geram crises e conflitos. Manifestam a toda hora, sentimentos de possessividade e insegurança. Extravasam egoísmo e não permitem ao outro se expressar ou ser amado por outras pessoas.

O texto aqui é um pouco longo, mas se você tiver paciência, gostaria que lesse até o final. Este testemunho É MEU, e poderá ajudar você a enfrentar situações parecidas em sua vida.

Além do que presencio diariamente com outras pessoas, vivi também o drama do apego exagerado, dentro de minha casa, com minha irmã de 35 anos, que é portadora de necessidades especiais e vive numa cadeira de rodas. Uma menina extremamente inteligente, alegre, linda e carinhosa. Mas devido a uma carência emocional que foi desencadeada desde a morte de nossa mãe, combinada com a ausência e rejeição do pai, ela transferiu todos os sentimentos reprimidos, em uma pessoa do sexo masculino de sua escola. A princípio achávamos que o sentimento por esta pessoa da qual ela apelidou de “pai”, como algo bonito, um sentimento puro e verdadeiro. Mas ao decorrer dos anos, isso tudo começou a se transformar em apego emocional exagerado, até o ponto em que ela “decretou” para si mesma que o amava como homem, e depositou toda a expectativa de um dia ser correspondida por ele. Ficou esperando o momento em que ele a enxergaria com outros olhos e retribuísse o mesmo amor que ela sentira por ele. Isso acabou se transformando em “amor platônico”, em termos populares, “paixonite aguda”.
Acontece que esta pessoa, por motivos profissionais, se desligou da escola. E minha irmã, se sentindo rejeitada e “abandonada”, começou a desencadear imediatamente uma série de sintomas psicossomáticos em função do desligamento desta pessoa. No dia seguinte já não quis ir á escola, alegando dor de garganta. No dia seguinte, idem… e por aí foi!
Pois bem, fomos tratando desta pseudo dor de garganta e ela melhorou. Foi para a escola no restante da semana. Mas no final de semana, acordou se queixando de dor de estomago, depois dor no peito, depois dor de cabeça… e não tinha remédio que amenizasse estas “dores”, que na verdade não passavam de sentimentos reprimidos… o sentimento do apego doentio.
O que eu fiz? Depois de uma longa e dolorosa conversa, onde ela ouviu tudo que precisava ouvir, conseguimos arrancá-la do País das Maravilhas e trazê-la para a realidade. Foi conscientizada de que deveria aceitar sua condição física e suas limitações, e que alimentar sentimentos como o amor por pessoas erradas só estava fazendo mal a ela e a todos nós.
Entreguei á ela um pedaço de papel, e fiz com que ela imaginasse que naquele papel estavam armazenados todos os sentimentos ruins, os sofrimentos, as más lembranças, as pessoas das quais ela precisava se desapegar, as dores psicológicas, as mágoas, ressentimentos, saudades, enfim… pedi que ela se desapegasse de tudo que estava lhe fazendo mal. Em seguida pedi que ela rasgasse este papel em mil pedacinhos, para que também pudesse rasgar estes sentimentos ruins do seu coração. Feito isso, coloquei estes picotes de papel em uma frigideira, coloquei álcool, e fiz com que ela acendesse uma fogueira nesta panela, para queimar de vez todas as coisas ruins da sua vida, e que enquanto este fogo ardia, ela estaria renascendo com o coração puro de desprovido de coisas ruins.
Ela fez tudo que pedi com muita boa vontade, chorou bastante, colocando para fora os sentimentos reprimidos, como se estivesse lavando a alma. E a partir de então, como num passe de mágica, todas as dores sumiram, ela voltou a sorrir, se alimentar melhor e voltou a ser a minha irmã querida que tanto amo. E me prometeu que de agora em diante irá valorizar apenas aquilo que é real na vida dela, aceitando a condição que Deus lhe deu e agradecer pela vida que tem.

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Nenhum de nós está livre de passar por este tipo de experiência, seja no apego emocional, quanto no apego material. Acreditamos ter posse sobre as coisas materiais: nossa casa, nossas roupas, nossa beleza, nosso carro, nosso cargo, nossa posição social, nosso talão de cheque 5 estrelas, nosso cartão de crédito internacional, a nossa empresa e assim por diante… Geralmente pessoas carentes ou ansiosas e inseguras, tentam encontrar no apelo material uma fuga. Na sociedade em que vivemos prega esta “necessidade” material que aparentemente devemos ter. Mas se você focar no que realmente precisa, verá que não precisa de muito para se sentir satisfeito.

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A verdade é que nada dessa vida se leva após a morte, mas isso não nos basta. Queremos “ter” coisas na vida, já que estamos vivendo. Isso não é errado, mas tente não fazer disso uma obsessão. É essencial sermos RACIONAIS.
Você tem alguma coisa em casa que comprou por impulso, nunca usou ou usou pouquíssimas vezes e agora está só ocupando espaço? Você acha que vai usar aquilo? O quanto você se sente feliz e satisfeito em ter aquilo? Outros objetos como revistas antigas, materiais e ferramentas guardadas no fundo do armário ou debaixo da cama. Para que guardar tanta velharia? Se não serve mais para nada, que tal doar? Para que sejam úteis para outras pessoas? Jogue fora o que não serve mais, limpe, organize, renove, livre-se do passado que não agrega nada ao seu presente.

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Desapego… que exercício difícil hein? Se você se identificou com ele, que tal começar a praticá-lo agora mesmo? Firme um propósito com você mesmo e faça uma faxina em sua vida. A limpeza tem que começar de dentro para fora.

Resumindo: Para praticar o desapego, devemos pensar que situações passam, objetos quebram, roupas e sapatos se gastam, beleza e juventude acabam, até as pessoas passam, amigos e filhos casam, parentes e animais de estimação morrem… e assim por diante. Tornar um amor real é expulsá-lo de dentro de você, para que ele possa ser de alguém. Não sufoque as pessoas que ama, deixe-as viver e as terá para sempre ao seu lado, pois cada ser humano é um universo. É a Lei da vida.

Com carinho,

Sol Ferrari

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